quarta-feira, maio 31, 2006

Aniversário

Parabéns para mim...
Parabéns para mim...
Parabéns para miiiiiiiim....
Parabéns para mim!

Pois é, 29 anos... o que vale é que ontem me disseram, com a maior cara de espanto possível quando eu informei que faria 29 anos hoje, que não me davam mais de 16, 17, 18 aninhos... Por isso estar quase nos 30 hoje não me afecta! hehehehehehehe

Agora que já me auto-elogiei (são os meus anos, ora essa!!) aqui fica o bolinho. Dividi-o irmamente:
E hoje, de prenda de anos, já dei calçado novo ao meu leãozinho (a minha carripana)... grande prenda... Se quiserem ajudar é depositarem na conta alguns euritos... (isto de pedir pela net parece estar na moda e deve resultar).

terça-feira, maio 30, 2006

E o Paulo Portas...

... também defendeu os professores...

Com tanta gente a defender-nos, quando o costume é atacar, até penso que estarei a sonhar.

E disse o Paulo Portas na SIC Notícias:

"Os professores devem preocupar-se com a qualidade do ensino, e naõ em satisfazer os pais."

"Os pais devem educar os filhos, os professores deve ensinar os alunos."

"O professor tem que ter a sua autoridade protegida porque ele precisa dela para exercer a sua profissão."

"Envolver os pais é reduzir a autoridade dos professores. É claro que é uma medida popular!" (para os pais, digo eu)

"Tenho medo que esta medida se torne numa permanente vendetta contra os professores!"

Ah, Paulinho... quem me dera que lá estivesses agora...

Quando a violência vai à escola

É ainda a 'quente' que escrevo este post após ver a reportagem e o debate que a RTP1 passou hoje à noite. Entre outras coisas, quero começar por dizer que passei a ser fã incondicional de Fátima Bonifácio, professora universitária!

A seguir quero perguntar: porque não é esta Senhora (esta sim, uma senhora) a nossa Ministra da Educação? Porque tem que ser aquela lulu que não sabe o que faz e que só sabe fazer o que não deve (isto para eu não dizer asneiras no meu blog, parece mal...)??? Quantas lulus para calçar os sapatos da Fátima Bonifácio, professora Universitária que deve ser, pelo que ouvi, muitíssimo competente.

Seguindo, o senhor que era professor e também psicólogo, tinha uns ares de aluado o que poderá justificar alguns comentários que fez totalmente despropositados. Mas, enfim, lá foi dizendo algumas coisas interessantes e verdadeiras que passo a transcrever:

-"O que não se pode fazer é misturar bons professores, que são a grande maioria, com professores batoteiros"

-"Os pais são o reservatório do bom senso. As crianças têm que saber que não é não!" (exacto, agora fez-se luz na minha cabecinha, finalmente entendi porque é que o R. nunca acha que o meu não quer dizer mesmo não e pede repetidamente a mesma coisa durante meia hora até eu o ameaçar com a rua e falta...)

-"Quando não há um exercício de autoridade sobre as crianças há um mal tratar dessas mesmas crianças." (por parte dos pais... claro)

O Secretário Adjunto da Educação esteve ali presente a anunciar medidas espectaculares e a solução destes problemas... a melhor de todas: a estabilização do corpo docente. Ia-me engasgando quando o homem referiu esta medida... os professores obrigados a ficar 3 anos numa escola que não gostam vão mesmo transmitir aos alunos o que é necessário... ao fim de 1 mês dão em doidos...
Depois fartou-se de fazer propaganda sobre tudo o que o ME tem feito e tudo o que a escola não tem feito (sendo que a escola, para ele, são os professores) sendo essa escola responsável pelo insucesso escolar, pela fraca participação dos pais, pelo abandono escola, pela violência dos alunos... Ameba passou a ser uma palavra que me virá à cabeça cada vez que pensar neste senhor.

A professora do ensino secundário que esteve presente chamou a atenção para o facto de a indisciplina não ocorrer apenas naquelas escolas (plural, sim, porque foram mais do que uma) e também na generalidade das escolas portuguesas embora não assumisse consequências tão graves como as que se viram. Mas, não sei se repararam, este facto foi prontamente posto de lado tanto pelo jornalista como pelo 'inteligente' Secretário Adjunto. Mas a professora (lamento mas não apontei o nome dela...) também chamou a atenção para algo:

-"Os pais nunca vão à escola para apoiar: ou os professores são demasiado maus e rígidos ou não conseguem dominar os alunos."

Também referiu o facto de apeas os pais dos bons alunos irem regularmente à escola.

Por fim, a minha heroína, Fátima Bonifácio. Deixo aqui algumas citações que retirei conforme ela falava.

-"Desapareceu em Portugal qualquer respeito pela autoridade." (lembram-se? Antes era contar a polícia, agora contra os professores)

-"As regras existem, o problema é que eles [os alunos] não as cumprem."

-"Os professores têm que poder exercer a sua autoridade dentro da sala de aula. Há muito tempo que os inquilinos do ME têm vindo a desgastar a imagem e a autoridade dos professores até não restar quase nada."

-"Sem um reforço da autoridade dos professores, sem eles [os alunos] terem medo dos professores, não se vai a lado nenhum."

-"Os pais avaliarem os professores é um limitar da liberdade dos professores. Isto é a machadada final na autoridade dos professores - ficarão em posição de serem alvo de chantagem. Vai haver uma corrosão da autoridade dos professores."

E mais um comentário meu: repararam bem no pequeno texto do final da reportagem? A dizer que a RTP1 não queria com esta reportagem dizer que todas as escolas do país eram assim? Não acharam estranho? Não vos cheirou a censura e exigência do ME? A mim cheirou... uma vergonha!

As citações podem não estar correctas em termos de seguimento, quer dizer, podem não ter sido ditas pela ordem em que se encontram.

Se quiserem amanhã posso pôr aqui a definição de ameba... hehehe

segunda-feira, maio 29, 2006

Provas Globais

Das 14 provas globais que corrigi, da minha turma, tive só uma positiva... Se já estivesse a ser avaliada pelos novos critérios, teria negativa...

Eu só sei que eles não estudaram nada. Fartei-me de bater na voz passiva, nos verbos, nas terminações, nos truques para decorarem (sim, é preciso decorarem) a formação de certos tempos verbais, até lhes disse para estudarem as profissões e o que eles escolheriam no futuro. No fim, dua pessoas escreveram 3 linhas na composição, a maioria errou a passiva, e poucos acertaram nos verbos. Um aluno que nunca teve negativa, teve 19%. Não estudaram, simplesmente acharam que era o 3º período e não estavam para se chatear.

Um aluno desta turma, noutra disciplina, escreveu na composição: Estou farto de testes, por isso não vou escrever mais nada.

E vou eu ser avaliada pelo aproveitamento de alunos destes... valha-me Deus...

domingo, maio 28, 2006

Vida Desprezada
amor não sincero
corrida desesperada
por alguém que quero

fugida silenciosa
dura como punhais
sozinha, desgostosa
perdida demais

coração esmagado
pisado sem dó
um sinal negado
e esperança? Estou só?

Nada mais resta
não há mais nada a dizer
que morte é esta...
que não me deixa morrer???

SDF

sábado, maio 27, 2006

A propósito da nova e brilhante ideia do ME

Então agora querem que os pais participem na nossa avaliação??? Sinceramente, isto só pode ser brincadeira... é que há pais... e pais... Eu sei que há colegas que bem merecem que os pais os avaliem, sejam esses pais boas pessoas ou más, mas no que diz respeito aos bons professores já ponho as minhas reticências. Porquê, perguntam. Nada melhor do que escrever aqui alguns textos de colegas (eu inclusivé) que podem justificar o erro crasso de tal medida:


"Fui há algum tempo Directora de Turma e, como tal, estava muito empenhada e sempre a zelar pelo melhor para os alunos e respectivos pais que, na grande maioria e naquele caso, eram pais que trabalhavam bastante e nem sempre conseguiam ir à escola (excepto os pais dos bons alunos, esses vão sempre à escola quer trabalhem muito quer não, interessante, não acham?). No final do ano começaram os pedidos dos 3 para passar, como de costume. A mãe de um aluno mandou recado pelo filho a pedir se por favor lhe dava o meu contacto para ela poder falar comigo pois não tinha possibilidades de ir à escola. Eu, inocente, novata, e mesmo burra, se quiserem, dei o nº do telemóvel. A mãe lá telefonou num sábado à tarde (!!) quando eu estava na praia (!!). Esteve mais de 1h ao telefone comigo a pedir pelo filhinho cuja situação era a seguinte: no ano anterior tinha reprovado com 4 negativas no 8º ano, este ano só precisava de ter positiva a uma dessas disciplinas para poder passar, isto uma vez que há ou havia uma lei que permite que os alunos vão buscar as notas do ano anterior (que eu pensava ser só para o secundário, mas não é, pelo menos naquele caso não era, tenho disso a certeza). Eu disse que ia ver o que podia fazer. Na reunião de CT o referido aluno teve nada mais nada menos do que 6 negativas, não havendo ninguém (incluindo eu) disposto a dar-lhe positiva uma vez que o menino só se tinha lembrado que queria passar no 3º período que tinha durado pouco mais de 1 mês. Pronto, reprovou. Uma semana depois, o CE pediu-me para telefonar para a mãe dele a propôr que o aluno frequentasse Curriculos Alternativos uma vez que ele estava fora da escolaridade obrigatória e seria a terceira vez que ia para o 8º ano. A mãe ouviu tudo e no fim, muito "simpáticamente" disse-me: "Olhe, vocês não quiseram mas foi passar o meu filho! Eu sei de casos em que alunos com 4 negativas foram a Conselho Pedagógico e passaram. Duvido que tenha falado com os outros professores, ouviu, não acredito. Eu vou fazer queixa pode ter a certeza!" Respondi-lhe que o filho tinha tido 6 negativas e não 4 e que não estava ali para ser maltratada e apenas para a informar daquele assunto. Resposta brilhante da senhora: "Isso não me interessa, eu quero é que o meu filho estude não é que vá para essas coisas!!!" E desligou-me o telefone na cara. Eu pergunto, se ela quer que o filho estude porque é que ela queria que ele passasse mesmo tendo as negativas todas que teve??? "


"Na escola onde estou este ano, muitos alunos são filhos de médicos, professores, advogados, etc... Digo-vos uma coisa... Muitas vezes são os piores! Comigo nunca aconteceu nada (já lá estive há dois anos), mas há histórias de pais que, se não concordam com a atribuição de uma nota, até a tribunal não se importam de ir! E não é entre um 2 ou um 3, é entre um 4 ou um 5! Ainda lá anda um caso pendente de uma miúda de 5º ano que teve um 4 no 2º período e os pais achavam que ela merecia o 5. Mas achavam o quÊ?? Mas eles estavam nas aulas? Viam a miúda em contexto de sala de aula? É que acham que só porque um aluno tem Muito Bom nos testes tem que ter 5 obrigatoriamente! Nem pensar! Os pais ainda são muito ignorantes em relação aos critérios de avaliação e às vezes nem se interessam por conhecê-los."


"Foi numa escola com pais da chamada "classe média alta", a única onde estive que tinha este tipo de pais, que tive problemas com a atribuição de uma nota. Foi enviado para essa escola um FAX a reclamar uma nota que eu tinha atribuido. Eu tinha dado ao aluno um 4 e os pais queriam um 5. E não é que o CE me queria obrigar a justificar perante os pais o porquê da atribuição do 4?"


"Estou numa escola em que os pais são ainda mais problemáticos que os filhos... O meio é pequeno, estamos a falar de gente da aldeia que resiste a tudo e a todos e contesta as formas de ensinar de toda a gente... O que mais me choca é que falamos de gente sem cultura que é capaz de tecer os piores elogios a quem de bem se preocupa com os seus filhos... "


Imaginem o tipo de avaliação que muitos destes pais darão aos professores... Nem quero imaginar... Vai ser tipo: "Oh Sílvia! (sim, que isso de professora é mania nossa que temos a mania que somos boas) Tem que dar positiva ao meu filho... olhe que no fim do ano sou eu quem a avalia!"


E quem diz positiva diz 5 ou 4... Ainda este ano, na minha escola, uma mãe pediu que todos os professores que tinham dado nível 3 ao filho lhe dessem a justificação da nota. Claro que muitos não queriam, mas o CE deu ordem para que se cumprisse. E isto é só um exemplo, na minha escola este ano os professores de EF foram obrigados a tirar dos critérios de avaliação o item Higiene pois os papás achavam que era uma ofensa avaliar a higiene dos seus rebentos (rebentos esses que não tomavam banho depois da aula de EF).


Mal posso esperar pela avaliação de certos papás. Quero também acrescentar que há pais que sim, estão perfeitamente capacitados para avaliar... o problema são os outros...


Quanto ao resto da proposta de avaliação de professores, não discordo com nada... pelo menos por agora... veremos o que sai mais daquelas mentes brilhantes!

sexta-feira, maio 26, 2006

A minha tia dá aulas...

(Conversa no Messenger com uma aluna)

-Professora! Eu tive mesmo negativa?

-Sim, tiveste...

-....

-Mas eu estudei e treinei tanto... estudo 7 horas por dia, fora explicação...

-Então, deves estar a fazer alguma coisa mal... estudas demais se calhar... (7 horas por dia!?!? - pensei eu!)

-A professora não se enganou?


-Não, não me enganei. Tu é que na véspera do teste me disseste que ainda não tinhas o vocabulário sabido... e logo o vocabulário para a composição!

-Pois, a culpa então é minha!! Eu não estudo sozinha!!!

-...

-Eu estudei com a minha tia que dá aulas na Escola ...

-Sim, mas não foi a tua tia que fez o teste, pois não???

-...

A tia dá aulas? E depois? Já estou cheia de medo... É suposto eu dar-lhe positiva porque a tia dá aulas??? Estes miúdos dão cabo de mim... Infelizmente hoje quando lhe entreguei o teste não me lembrei de lhe dizer para mostrar o teste à Tia que dá aulas na Escola... para lho corrigir... podia ser que tivesse ainda menos do que teve comigo!

Eles não entendem que estudar é uma coisa, os tios fazerem-lhe os trabalhos é outra completamente diferente!
Será que a culpa é minha? É que os outros alunos não têm problemas deste género...

Bem, mais uma lição aprendida este ano lectivo: não voltar a dar o MSN aos alunos...

quinta-feira, maio 25, 2006

O fim das aulas... e o fim da picada!!!

Vai uma pessoa, no início do 3º período, à Direcção Executiva e pergunta:

Quando é que é o último dia de aulas? Queria marcar os testes... vai ser dia 23 ou dia 30?

Dia 23... em princípio, por causa dos exames... não pode haver barulho...

E lá vou eu marcar os testes para dia 19 e 20, contando corrigir tudo de uma vez para custar menos e entregar logo antes do dia 23...

Na semana passada afixam na sala dos professores um papel... afinal as aulas acabam dia 20, sendo a festa da escola dia 21... Vai logo o pessoal todo aflito ver como é que vai ser para mudar os testes... afinal, praticamente nos cortam uma semana de aulas...

Esta semana afixam outro papel... mexem em tudo... A Secretaria Regional não aprovou o calendário. Afinal as aulas vão acabar dia 30. Exames a decorrer? Ah... está bem, então não há aulas de manhã e só à tarde nesses dias (muito justo para quem tem aulas de tarde, sim senhor... eu tenho de manhã... bom para mim) ...

E vai logo o pessoal aflito mudar outra vez os testes... se os fazemos demasiado cedo ninguém segura os miúdos dentro da sala de aula.

Cenas dos próximos capítulos num post perto de si...


Mudando de assunto: já algum dia um aluno se levantou a meio da aula, disse: EU VOU À CASA DE BANHO! e saiu porta fora? Hoje aconteceu-me... como não o deixei ir e o bébé não consegue aguentar, levanta-se e sai... porque ele é que manda!!! Resultado? Para já participação, falta de presença... veremos se acontece mais alguma coisa...

Hoje estavam insuportáveis! Eles que se convençam que as aulas vão acabar só no fim de Junho, não estou para os aguentar assim mais de um mês. Começo a perder a paciência... e o juizo...

quarta-feira, maio 24, 2006

Poema para...


Poema XVIII

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.


Poema: Eugénio de Andrade
Foto: Minha, Funchal

Mudança de Template

O outro era cor de rosa, este é azul... O outro tinha vários problemas, não se via o primeiro post, a barra lateral descia...

Para já fica este, gostei ali do mar em cima... se calhar o azul é um bocado forte, mas até encontrar um melhor, vamo-nos aguentando com este.

Espero que gostem (deu um trabalhão!!!)

terça-feira, maio 23, 2006

Os meus alunos do 9º ano e o Exame Nacional de Português

Os meus alunos do 9º ano têm uma professora de Português que chega atrasada em média 20 minutos às aulas...

Os meus alunos têm uma professora que só começou na semana passada a dar os Lusíadas...

Os meus alunos têm uma professora que não escreveu metade dos sumários no livro do ponto... nem METADE!...

Os meus alunos são alunos com ENORMES dificuldades...

Os meus alunos estão aflitos porque o Exame Nacional de Português irá alterar-lhes a nota final...

Os meus alunos não sabem o que são orações coordenadas e subordinadas...

Os meus alunos não têm noção de como saber que uma palavras é grave, aguda ou esdrúxula...

Os meus alunos não sabem se uma palavras é derivada por sufixação, por prefixação, por justaposição ou por aglutinação...

Os meus alunos têm dificuldades de interpretação...


Eu não sou professora de Português... tentei ajudá-los com o que ainda me lembrava, na minha aula... vou tentar arranjar umas coisitas sobre Lusíadas e sobre Gil Vicente e algo sobre gramática...

Sei lá... porque é que esta gente está no ensino??? Porque é que esta gente está no ensino e depois EU e outros como eu é que pagamos quando nos dizem que os professores não fazem nada e são incompetentes...

Mas MAIS importante: e os meus alunos???

segunda-feira, maio 22, 2006

Prova Global

-Professora! Não fizemos a composição!!!!

-Não fizeram??? Porquê???

-Oh, na matriz vinha tradução e composição e nós pensamos que era para escolher... e não estudamos para fazer a composição!

-Mas vocês estão bem?!?!? Mas desde quando é que se estuda para uma composição??? Não fizeram? A sério???

-Oh, professora, não... não sabiamos o que dizer... sobre o que queremos ser... a profissão..

-......... (eu a pensar: isto NÃO é normal!)

-Mas olhe, professora, agora vai ficar contente, achei a Prova Global mais fácil do que os testes que a professora dá.

-Ah... está bem...


Claro que isto pouco alento me deu... E olhar para as Provas só me deu instintos... digamos... não muito carinhosos...


(professor sofre... eles não estão nada preocupados)

domingo, maio 21, 2006

Comentários sob Moderação

Pois aqui a professorinha Sílvia andava triste por não ter comentários... AFINAL toda a gente comentava e eu, feita tola, não tinha dado conta que tinha os comentários sob moderação...

Agradeço a todos a vossa paciência e por terem esperado por este magnífico dia em que descobri que afinal todos vocês comentavam. E peço desculpa...

E MUITO OBRIGADA por todos os que têm vindo comentar e ler-me!

Bichos

Ora hoje como estou sem inspiração para falar de escola (sim, já corrigi os testes... podiam estar bem melhor mas há aqueles que NÃO ESTUDAM!!!!), vou postar aqui umas fotos de dois animais que recentemente foram adquiridos no meu círculo (familiar e outros). Foram adquiridos mas não por dinheiro, a gata foi dada e o cão... bem o cão... adoptou a família - foi mesmo assim! Vocês são meus e acabou!!!



Esta é a Fifi - era para ser Garfield, mas saiu gata... Foi bastante difícil de tirar umas fotos decentes, a gata é muiiiiito mexerica



Este é o Urso... aquele que adoptou os donos!






E aproveito para apresentar a minha Tucha (cuja mãe foi abandonada prenha de 7 cães):
Por favor, não abandonem os animais. Se não os querem, não os adoptem, depois são eles quem mais sofre!!

sexta-feira, maio 19, 2006

Sem saída...

Por um lado mandam-nos fazer planos de recuperação, adaptações do curriculo, planos de apoio, planos educativos, testes adaptados, planificações adaptadas, baixar a exigência, estratégias diferenciadas, etc, etc, etc... e no fim vêm os Exames Nacionais que correm por igual e no fim a culpa é dos professores que não sabem ensinar...

Sinto-me sem saída...

quinta-feira, maio 18, 2006

Tristezas

Hoje parece ser um dia triste em muitos sentidos...

O RP, o meu aluno diabo (de quem eu gosto na mesma...) estava hoje a chorar na aula... as lágrimas caiam-lhe pela cara e os olhos estavam muito vermelhos. Fiquei tão triste por vê-lo assim a sofrer - devia estar mesmo triste, para mostrar assim tanta tristeza quando normalmente é um gozão. Perguntei-lhe o que se passava, se era por causa do teste ou por causa de uma colega (aquela cabecinha no ar, a C.) mas ele disse que não tinha nada a ver com isso e não acrescentou nada... Coitadinho. Ao menos espero que o teste lhe tenha corrido bem. É que dei uma de preguiçosa e não trouxe os testes para casa por isso ainda não olhei para eles... talvez amanhã.

Na Sala de Estudo uma rapariga com ar triste disse-me que tinha tido negativa num teste, eu disse-lhe que tinha que estudar mais e tal... e uma coleguinha dela diz: Professora, a mãe da C. não gosta dela! E eu: Não gosta? Todos os pais gostam dos filhos! Mas não, professora - diz a rapariga - a mãe ela bate-lhe com o cinto quando ela leva negativas ou algum recado da DT para casa.

Coitadinha da pequena. Fiquei com tanta pena dela, com o coração apertadinho. Acho que uma negativa não é caso para bater, e muito menos uma participação. Há que ser firme com os miúdos, mas não é preciso exagerar. Ela tem ar de miúda com algumas necessidades, mas o que vale tem umas coleguinhas muito queridas e carinhosas que são amigas dela e não fazem o que alguns alunos costumam fazer quando os colegas são diferentes: hostilizar.

E por falar em hostilizar, outro acontecimento triste: na minha aula com os do 9º ano (que cada vez mais tenho a impressão que, em termos mentais, está ainda no 6º ano) o H., que devia ser quem mais juizo tem, andou a gozar com a M., uma aluna NEE. Resultado: a rapariga começou a chorar. Eu bem tentei: Oh M., não lhe ligues, ele está na brincadeira, tenta rir-te. E ela logo: Mas eu não gosto professora!!! O H. só parou depois de eu lhe ter dado dois berros e o ter ameaçado com uma participação e falta de presença.

Há dias que só apetece dormir, que foi o que eu fiz quando cheguei a casa, deitei-me e dormi durante mais de duas horas, parecia que tinha estado o dia todo a cavar um campo de batatas. E depois ainda dizem que o que fazemos não cansa. Cansa a cabeça e o corpo...

quarta-feira, maio 17, 2006

Diário II

16 de Fevereiro de 2006

Este mês já tive 3 reuniões com o Conselho de Turma do 7ºE. Agora vamos ter as intercalares... Com tanta reunião, sendo eu secretária, continuando a ter as mesmas aulas e as mesmas turmas, tenho passado mais de 35 horas por semana a trabalhar. Será que devo escrever à Ministra a pedir que me pague horas extraordinárias??

As reuniões intercalares dão cabo de mim... Temos que fazer a reavaliação dos 'malditos' planos de recuperação. Ou seja, ver se estão ou não a resultar, isto é, em linguagem clara, fazer com que resultem para que os garotos passem de ano, seja como for.

Isto desespera-me, não pelo facto de ser muito trabalho, muita papelada (não andavam a ver se acabavam com a burocracia no nosso país?) porque o trabalho nunca me assustou, mas porque fico preocupada e, aí sim, assustada quando vejo que afinal vou ser obrigada a passar alunos que nem sequer os objectivos mínimos (o que é isso afinal?!) cumprem e que vão passar de ano sem saber nada. É que eles sabem bem que vao passar de ano e continuam sem estudar e sem se preocupar. O que ponho eu na justificação para o nível negativo? Que os alunos não se interessam? E se não se interessam porque é? Porque eu, como má professora que devo ser, não os sei motivar.

Ou seja, ao fim e ao cabo a culpa de o aluno não querer saber de nada, não estudar, não se esforçar, etc, etc etc, é minha e acabou!!!

19 de Fevereiro de 2006

A estratégia com o RP resultou. Não só está calado como nem se atreve a fazer nada sem me pedir autorização. Às vezes penso que estou a ser má, mas o rapaz simplesmente não sabe o que é bom comportamento a não ser que lho esfreguem nos olhos. Aqueles olhinhos azuis com ar de anjo... aquele rapaz que ontem veio a correr ao meu lado até à porta da escola e me disse: Até nunca professora, espero que seja atropelada!... Decididamente o rapaz não anda bem... depois disse que foi na brincadeira. Como se aquilo que ele disse algum dia pudesse ser uma simples brincadeira.

A C. e a J. juntas é que não dá nem por nada. A C. é repetente (detesto esta palavra) e não se vê responsabilidade à vista. Confia apenas e só no seu bom aspecto para conseguir as coisas na vida. Já lhe disse que bom as pecto sem mais nada não lhe vai trazer muita coisa, mas o que eu lhe digo é como água a passar pelas costas de um pato: não entra.

Amanhã vou-me inscrever para poder concorrer ao Continente...

(...)

Estou seriamente a pensar dedicar-me aos livros... numa biblioteca. É pena que os cursos para bibliotecária sejam tão caros aqui na RA. Aliás, todos os cursos de mestrado ou pós-graduação aqui são muito caros. no que respeita à continuação da formação, o preço da insularidade sobe a pique... E isto porque muitas vezes aquela gente do ME me deitam tão a baixo que só vejo como única saída sair do ensino, apesar de adorar isto, ser tratada por aquela gente como lixo não me agrada muito.
Ainda que aqui na RA esteja bastante protegida... Aqui sou professora, não lixo.

terça-feira, maio 16, 2006

Nunca tinha visto este...



Nunca tinha visto este erro antes... conseguem adivinhar o que a rapariga queria escrever?

Vejam bem... Ela queria escrever "por causa"... saiu-lhe isto.

segunda-feira, maio 15, 2006

Momentos...

Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.





Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.

(Vontade de ser barco ou de cantar.)


Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum



Levar-te à boca,
beber a água
mais funda do teu ser -
se a luz é tanta,
como se pode morrer?



Poemas: Eugénio de Andrade
Fotos: minhas

sábado, maio 13, 2006

A TV da Nossa Infância



Quem não se lembra do He-man e da She-Ra? Eu ate tive aquela caderneta para colar os autocolantes das pastilhas elásticas.



E os Transformers, robots para transformar....




Thunder, thunder, thunder, thunder CATS (não é preciso dizer mais nada...)!!!





O gajo que com dois palitos e uma pastilha elástica conseguia construir um avião, pô-lo a voar e, como se não bastasse, ainda conseguia mastigar a pastilha elástica antes de aterrar.

E o Dartacão: Era uma vez os três, os famosos Moscãoteiros...


V-A Batalha Final, série por causa da qual deixei de gostar de salsichas fritas, a pele fazia-me lembrar a pele dos aliens invasores.




Pois foi, ontem estive a divagar com alguém (tu) sobre as séries da nossa infância. Achei que devia pôr aqui algumas imagens. Claro que faltam aqui muitas mais: Verão Azul, Automan, Candy Candy, Os Estrumphes (agora chamam-lhe os Smurfs, não é?), o Carteiro (com o seu gato preto), etc, etc, etc...

sexta-feira, maio 12, 2006

Festa da Flor

Como prometi há algum tempo, coloco aqui algumas fotos da linda Festa da Flor que teve lugar no passado dia 30 de Abril no Funchal e cujo tema era "As Estações do Ano".

Todos os anos há uma espécie de 'rainha da festa'. Este ano foi esta rapariga que fazia de Ana Luísa há uns tempos nos Morangos com Açúcar... É oficial, chegaram os Morangos à Festa da Flor.

Os carros são sempre enfeitados com flores de todas as cores e feitios.

Atrás de cada carro iam crianças ou adolescentes a dançar ao som da música.

Havia flores que só dava vontade de lá ir e ficar com elas para nós.

Não é só nos Açores que se fazem os tapetes de flores. Aqui também fazem. O pessoal não anda é em cima deles.

quinta-feira, maio 11, 2006

Avaliação de Desempenho

Mandaram-me esta história por mail... e,de repente, vi-me a levar porrada da Miss Ministra da Educação por não fazer/reestrutar um plano de recuperação pela quinquagésima-nona vez no mesmo ano lectivo para o mesmo aluno...

O dono de um talho foi surpreendido pela entrada dum cão dentro da loja. Ele enxotou-o mas o cão voltou logo de seguida. Novamente ele tentou espantá-lo mas reparou que o cão trazia um bilhete na boca. Ele pegou o bilhete e leu: - Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor? O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 euros. Ele pegou no dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco e colocou-o na boca do cão.

O talhante ficou realmente impressionado e como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou o saco no chão, pulou e carregou no botão para fechar o sinal.

Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e pudesse atravessar.
Atravessou a rua e caminhou até uma paragem de autocarro, sempre com o talhante a segui-lo.
Na paragem, o cão olhou para o painel dos horários e sentou-se no banco, esperando o autocarro. Quando um autocarro chegou o cão foi até à frente para conferir o número e voltou para o seu lugar. Outro autocarro chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o número certo e entrou.

O talhante, boquiaberto, seguiu o cão. Mais adiante o cão levantou-se, ficou em pé nas duas patas traseiras e carregou no botão para mandar parar o autocarro, tudo isso com as compras ainda na boca.

O talhante e o cão foram caminhando pela rua quando o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio.

Então virou-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Tornou a fazer o mesmo mas ninguém respondeu.

Então contornou a casa, pulou um muro baixo, foi até à janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Caminhou de volta para a porta e, de repente, um tipo enorme; abriu a porta e começou a espancar o bicho.

O talhante correu até ao homem e impediu-o dizendo:
"Deus do céu homem, o que é que você está a fazer? O seu cão é um génio!"
O homem respondeu: "Um génio??? Esta já é a segunda vez esta semana que este cão estúpido se esquece da chave!".

Moral da história:
Podes continuar a exceder as expectativas mas, aos olhos daqueles que te avaliam, isso estará sempre abaixo do esperado...

terça-feira, maio 09, 2006

O que realmente recompensa

Eu no fundo sei que isso de me abraçarem e de me chamarem professorinha é só graxa. Não que eu me deixe influenciar pela graxa, não altera as notas deles em nada porque eu limito-me a fazer as coisas no excell e a nota final é um simples cálculo matemático de tudo o que eu vou apontando durante as aulas (participação, tpc, faltas de material, assiduidade, pontualidade) e dos testes. O que dá no fim, é o que corresponde à nota.
O que realmente compensa é estar a dar aula, dar o toque dos 45 minutos e um miúdo dizer para o outro em voz baixa não se paercebendo que o ouvimos falar: "Já!??!" Isso é que me deixa babada (e não, não lhe vou dar o 3 só por isso hehehe) e recompensada por ver que afinal os miúdos, ou pelo menos um, está a gostar de aprender o que eu tento ensinar-lhe...
Hoje estou toda babada :-)

segunda-feira, maio 08, 2006

Diário I

Há uns tempos, em Fevereiro, para ser mais precisa, comecei a escrever uma espécie de Diário do que se passava na escola com alguns dos meus alunos nas diferentes turmas. Acho que merece ser passado para aqui, sempre fica num registo mais bonito. Claro que depois tentarei dar continuação ao "diário", mesmo faltando pouco tempo para o final do ano lectivo. Aqui vai nada...


15 de Fevereiro de 2006

Mudei a C. de lugar para ao pé da J. sabendo que a C. gosta de estar ao pé dela e são muito amigas, consciente do facto que iriam falar e também consciente que a C. teria muito mais vantagens em juntar-se à J. (uma aluna de 5) do que mantendo-se lá trás junto do RP. e do F., a sua companhia ultimamente tendo o comportamento dos 3 piorado a olhos vistos.

Na primeira aula em que procedi à mudança avisei-as: "Pus as duas juntas porque sei que gostam, mas não e para falar!" "Mas foi a professora que nos pôs aqui!" - disse logo a C. "Sim, e depois?" - perguntei eu inconsciente do que viria daquela caela logo de seguida. "Então, se falarmos a culpa é da professora!!". Fiquei a olhar para ela com cara de quem nunca na vida se tinha deparado com tanta... nem sei que lhe chamar... refilei com ela e ordenei que se calasse e não dissesse disparates.

O facto de isto ser um acto de desresponsabilização dos próprios actos da C. só me ocorreu mais tarde quando, depois de uma desobediência grave do Regulamento Interno da Escola, o Encarregado de Educação da C. disse que ela deveria ser castigada mas que a culpa não era só dela, mas também do outro colega que tinha estado com ela aquando do acontecimento.

A C. desresponsabiliza-se de qualquer acto que faça. Há uns tempos fez todo o tipo de disparates e dizia que estava possuída por uma outra rapariga: "A professora não está a falar com a C." - disse à D.T. - "Está a falar com uma rapariga que é esquizofrénica e tem dupla personalidade." (não pude deixar de me rir...)

Quando a D.T. telefonou ao Encarregado de Educação da C., este telefonou à filha que respondeu que tinha sido a turma que tinha exagerado na reacção ao comportamento dela. Diga-se de passagem que o comportamento dela tinha levado a que muitas colegas, acreditando nela e na sua possessão, tinha ficado à beira das lágrimas por verem a sua colega assim... (não sei se nesta altura teria passado na televisão algum filme sobre possessão... quem sabe)

Mas esta desresponsabilização não acontece só com a C., o RP também está entre os rapazes que não possuem a mais pequena mancha de responsabilidade dentro deles.

Estava eu a dar a aula e os alunos a registar exercícios que tinham estado a fazer no quadro (tudo em silêncio para maravilha minha) quando de repente, vindo do nada, o RP diz: "Let's fornicate!". Infelizmente eu não devo estar preparada para tipo de comportamento pois o meu pensamento foi: "Mas, mas, mas... o que e que eu faço agora com este rapaz?!?!?!?" Surgiram-me várias ideias (entre as quais, por um momento, esganá-lo... estou a brincar, claro...), mas a que pus em prática foi a mais velha de todas: "Rua!" Claro que esse era o seu objectivo, rua e participação para atingir a sua "décima participação em 4 dias" - como rapidamente lembrou o H.. Foi para a rua, sim, mas antes ainda me lembrei de lhe dar trabalho para ir fazer na biblioteca e ir falar com a D.T., que estava na escola, para redigir o pedido de desculpas e assinar. Deveria comparecer na sala de aula 5 minutos antes de tocar.

Ele assim fez, vinha todo contente e explicou que não tinha feito parte do trabalho porque não tinha percebido. Tudo aquilo lhe saía com uma naturalidade como se o que tivesse acontecido não tivesse qualquer importância e fosse normal o facto de ter sido castigado.

O que eu sabia sobre os Encarregados de Educação era que eles já tinham dito que falavam com o RP imensas vezes e que eram uns "pais presentes" (palavras dos próprios e nas quais eu acredito piamente). O facto de a irmã do RP já estar a revelar os mesmo sinais de rebeldia e também o facto dos colegas do RP se rirem e incentivarem o colega dando-lhe TODA a atenção que ele queria, deu-me uma ideia. Isolar o RP na sala de aula e nunca mais o mandar para a rua.

Acho que isso o apanhou de surpresa. Na aula mudei-os todos de lugar (que foi quando juntei a C. e a J.) deixando o RP atrás de todos os colegas, sem ninguém à frente ou ao lado com quem pudesse falar. O RP viu-se completamente isolado dos colegas a quem avisei que teriam falta se olhassem para trás. Ou seja, quem apoiasse o comportamento do RP, seria castigado. Ao RP disse: "Meu caro RP, se tu julgas que hoje me vais enervar estás muito enganado. Está caladinho e poupa-te ao esforço. E se julgas que voltas a ir para a rua está imensamente enganado."

Claro que a ele entrou-lhe por uma orelha e saiu-lhe pela outra. Falou, falou, falou, falou... alto e bom som... a certa altura olhei para o lugar dele e estava o RP de gatas à procura de um lápis que tinha caído (como prontamente justificou olhando para mim com os olhos azuis muito abertos). Mas acho que deu resultado. Dos 90 minutos de aulas, esteve 60 minutos calado, sem perturbar a turma. E isso para mim e uma vitória. Além de não o ter mandado para a rua consegui que, quem sabe, ele se controlasse um bocadinho e adquirisse algum conhecimento. E capacidades não lhe faltam. Um aluno daqueles, que passa a aula toda a fazer comentários idiotas e a passear no mundo da lua consegue, ao mesmo tempo, ter notas razoáveis. Ele é muito inteligente pois eu acredito que ele não estuda absolutamente nada.

Na aula seguinte o RP esteve completamente calado. Chegou atrasado, com a C.. Em vez de os deixar entrar sem mais nada, fui para a porta e preguei um sermão aos dois. O RP não abriu a boca a aula toda, embora eu tivesse que o chamar à atenção para ele trabalhar. A C.... bem, a C. não tem remédio... pelo menos que eu tenha encontrado. A certa altura o RP disse que estava mal disposto e por isso é que tinha chegado atrasado à aula... Mais tarde tomei conhecimento que ele se tinha portado pessimamente nas outras aulas."

*mais tarde, quando acabar de passar o diário, tenho que vos dizer qual a nota do RP no 2º período, o que ele me surpreendeu esta semana (na Sala de Estudo) - fiquei de boca aberta e surpreendida pela positiva - veremos se dura. Isto agora já vai muuuuuito longo.

domingo, maio 07, 2006

E mais...

... quando vou ao Continente, não é SORTE!! Pago pelo bilhete!!!!!!!! E geralmente mais do que as outras que eu conheço que não têm sorte nenhuma...

Eu realmente tenho muita sorte...

As pessoas olham para mim, inteiram-se da minha situação e dizem-me : "Tu é que tens sorte!" ou "Tu tens muita sorte!". PORRA (desculpem, mas já estava a precisar de desabafar), SORTE não tem a ver com isto... Mas que raio... e ainda por cima algumas dessas pessoas apenas demonstram uma grande inveja e acham injusto que eu esteja na situação em que estou porque ainda só tenho 4 anos de serviço.

Ora, vejamos... Saí da Universidade com pouco mais de 14, no primeiro ano não trabalhei (GRANDE SORTE) apesar de colegas minhas com 11,6 terem trabalhado (não, não lhes disse que tinham sorte, acreditem ou não fiquei contente por elas), nesse primeiro ano não concorri para as ilhas, burra que fui pensando que tinha uma média boazinha e dava para ter emprego. No ano a seguir fiquei com 9 horas, que se transformaram em 12 (QUE SORTE!) e, um mês depois, aparece-me uma colega na escola com um horário de 13 horas e vê o seu horário aumentado para 20 horas... (QUE SORTE A MINHA!!).

No ano seguinte fui para a mesma escola (QUE SORTE!!) para 3 meses com 9 (SIM NOVE, QUE SORTE!!) horas semanais. A seguir, perto da Páscoa fui chamada para a Ilha com um horário completo até ao fim do ano... SORTE???? EU CONCORRI!! E eles??? Concorreram??? Acham que devia ter dito que não? Só para não ter tanta sorte??...

A seguir, no ano lectivo que veio depois, apenas "apanhei" horário em Janeiro, a 600km de casa (QUE SORTE!!) com 9 horas semanais (outra vez, QUE SORTE!). Depois foi completado (pode-se dizer assim?) durante 2 meses e a seguir estive com 12 horas até ao fim do ano... (Não, não foi sorte, EU aceitei o horário de 9 horas e vocês? Antes de mim 6 professores recusaram o horário... era longe, poucas horas...).

No ano seguinte, no ano passado portanto, fui colocada em QZP na Ilha. E NÃO, lamento, mas NÃO foi sorte. Simplesmente concorri... que raio! Tinha uma média baixa mas como tinha cá estado antes fiquei numa boa prioridade e fiquei no quadro. Eu concorri para a ilha, eu vim para cá quando ninguém se lembrava de vir e muito menos de concorrer, e agora é sorte?!?!? Não!!!! Concorressem!!! Não quiseram? Não puderam? Ok, compreendo perfeitamente, agora não me digam que eu tive sorte... Ninguém se lembrou das ilhas até verem que as pessoas vinculavam também nas ilhas. E agora acham mal que elas vinculem só porque essas pessoas não vincularam???

Onde está em tudo que eu escrevi atrás algo que indique que foi tudo sorte? Não trabalhei? Não concorri para tudo e mais alguma coisa? Não???

Este ano posso concorrer para o Continente como interna e vêm-me dizer que tenho sorte? Mas que raio esta gente entende por sorte? Onde estiveram eles estes 2 anos (e alguns meses) enquanto eu estava aqui, a 1100km e 200€ (fora táxi e portagens e gasolina para chegar a casa depois de aterrar) do Continente?

Posso concorrer ao Continente e dizem-me que é injusto os das Ilhas poderem concorrer como internos porque os concursos são independentes? Mas afinal o que é isto???? Eles não quiseram/puderam sacrificar-se e agora EU é que tenho sorte? Eu é que estou a ser injusta porque posso concorrer para o Continente como interna? Se quiserem venham para cá! Isto não é Portugal?????

Nunca na MINHA VIDA eu tive CUNHA para NADA. Tudo o que tenho foi do meu trabalho, da minha cabeça, das minhas acções, das minhas decisões. Invejosas é o que essas pessoas são, têm inveja porque não tiveram coragem para tomas decisões e então dizem que é injusto.

Claro, eu deveria ter telefonado para a SRE e dito: "Olhe, não quero vincular, veja lá, a minha média é demasiado baixa, há imensos professores com mais de 18 que não vão vincular por isso eu não quero porque é injusto para eles." É isso o que eu devia ter feito? Ficariam mais contentes assim??? Seria mais justo para vocês?
Tudo isto só me dá vontade de chorar...

sábado, maio 06, 2006

A "Massagem da Alma"

Conforme prometido ontem... ou ainda hoje mas há umas largas horas atrás, hoje vou contar o que fui fazer ontem à noite. Uma colega minha convidou-me para ir com ela ver "Com palavras amo" a poesia de Eugénio de Andrade que estava em cartaz no Teatro Municipal aqui da cidade que tinha como voz (quem declamava a poesia, portanto) Luís Carvalho e a acompanhar com a flauta de bambú de Rao Kyao.

Devo informar que eu nunca fui à bola com o Eugénio de Andrade, vá-se lá saber porquê, talvez por causa dos meus professores de Português (coitados) - (como por exemplo o meu professor de Literatura Portuguesa que me fez não gostar de Fernando Pessoa - mas essa fase eu ultrapassei, graças a Deus), ou talvez devido ao facto de nos livros de Português não haver poemas bonitos do Eugénio de Andrade como os que eu ouvi ontem tão bem declamados por aquele senhor e acompanhado pela música do Rao Kyao.

Aqui ficam algumas fotos (não levei a máquina por isso só tirei fotos com o telemóvel, estão um bocado rasqueiras (esta palavra existe?) mas acho que dá para ver bem):

Ora cá está o palco sem ninguém (sim, ainda não tinham chegado, nós é que chegamos antes da hora, mas tinha um arranjo bonito, não tinha?)

Ora cá estão os dois senhores. O Luís Carvalho é o que está em pé, a declamar, e o senhor que está escondido por trás daquela cena que eu não sei agora o nome, é o Rao Kyao (eu bem disse que as fotos estavam rasqueiras).

Como na última foto o Rao Kyao estava tapado, resolvi tirar outra para ele não ficar tão... digamos, apagado.

O Luís Carvalho declamava tão bem e o Rao Kyao acompanhava-o tão bem que eu adorei o espectáculo (no verdadeiro sentido da palavra). Durou pouco para tão bonito que foi... nem tenho palavras. Aquelas rosas brancas ao canto eram 25 (como eram 25 os poemas declamados)e foram distribuídas pelas senhoras da sala. Tenho sim que deixar aqui o poema que mais me impressionou e emocionou (a mim e a metade da sala).

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
ao fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!

Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu... Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esquecerei de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!

A Nôr

A Nôr, digo, Leonor, é a aluna que me abraça cada vez que subo ao 4º andar para dar aulas a uma das minhas 4 turmas do 7º ano. Há alguns tempos chamei-a de Nôr na aula e disse-lhe que Nôr queria dizer Luz em árabe. A bem dizer, Luz em árabe diz-se Noor, mas o efeito é o mesmo. Agora ela nem sequer permite que eu lhe chame Léo... diz logo: Léo não, pessôra, Nôr, porque eu sou a sua luz.

Julguei eu que isto era brincadeira e tal, mas quando hoje cheguei à escola e ela e as colegas estava cá fora no intervalo, a Nôr veio directa a mim e abraçou-me... Disse: ah, professorinha querida... e ficou assim um tempo. O mesmo se passou em praticamente todos os intervalos em que eu me dirigia ao 4º andar para dar aulas.

Agora pus-me a pensar: será que a rapariguinha anda carente? É que os pais são divorciados, acho que vai ter um irmão de um dos lados e que é-lhe difícil ter que escolher onde passa o Natal, a Passagem de Ano, a Páscoa... E eu gosto tanto dela. Para a próxima também lhe dou uns beijinhos :-).

Hoje, quer dizer, ontem, quer dizer, dia 05 de Maio fui ao que uma colega apelidou de "massagem da alma". Amanhã, ou melhor, logo, isto é, quando forem horas decentes para eu fazer algo com pés e cabeça, conto-vos onde fui e onde recebi a tal massagem. Sim, porque agora vou 'ferrar o galho', isto é, dormir.

quinta-feira, maio 04, 2006

Não, não é mais um post sobre concursos...

Para mudar de assunto, ficam aqui uma fotos da minha escola de origem. É lindo o sítio não é? Acho que valeu a pena o 1,5€ que paguei na escola por algo que não sei o que é...

Esta é a minha escolinha de origem.

Aqui é uma visão mais abrangente do sítio, a escola está ao fundo do lado esquerdo (aqui esteve escrito lado direito durante algum tempo... mas era do lado direito para quem vinha... ou também não dá assim? Ah... e sempre do lado esquerdo... bem..).

Aqui é o mar do sítio onde se situa a escola.

Para a próxima, se não eu não falar sobre concursos, ponho fotos da Festa da Flor... Veremos...

quarta-feira, maio 03, 2006

Concursos - Parte VI

Pois hoje lá fui à minha escola de origem concorrer. Acreditam que paguei 1,50€??? Acho que nunca tinha pago para concorrer... Andar tantos quilómetros, apresentar um boletim comprado por mim e no fim pagar para concorrer!?!? Só a mim... E ainda por cima lembrei-me que, se não sair da ilha ou se continuar em QZP vou ter que ir entregar o boletim para afectação lá... já para não falar no pedido de destacamento... Só nesta ilha...

terça-feira, maio 02, 2006

Concursos - Parte V

OK... como estão a ver o stress em tempo de concursos continua... para alguns já acabou mas eu, como ando a lutar em duas frentes, continuo na labuta. Além de estar furibunda, estou stressada porque amanhã lá vou eu para onde Judas perdeu as botas só para entregar um concurso. E tenho que ir mesmo amanhã porque não tenho transportes noutra altura... teria que faltar às aulas, o que não acho muito normal: faltar às aulas para ir entregar um concurso... não tem lógica.

Nunca fui destacada antes, mas esta situação aqui na ilha perturba-me. Acho que é só aqui que os destacados têm o seu processo na escola de origem e recebem pela escola de origem, e, no entanto, dão aulas noutra escola completamente diferente. Que confusão!??! Será que no continente é igual? Penso que não.

Para confusão já me bastou o ano em que estava a dar aulas em duas escolas diferentes em que, quando faltava numa, tinha que justificar num e, quando faltava na outra, tinha que justificar na outra. E os pedidos para acção de formação? Até descobrir em que escola tinha que o fazer ia-me lixando pois pedi na escola B quando só iria faltar na escola A... aaaaaaaaaarrrrrgggggg!!!!!

Pensei que estava livre destas confusões, mas afinal... quando eu me livrar de confusões vai ser dia de S. Nunca à tarde... ou à noitinha que é para haver mais suspense...

Concursos - Parte IV

Eu simplesmente NÃO ACREDITO que VOU TER QUE IR à minha escola DE ORIGEM entregar o meu concurso. SERÁ POSSÍVEL que a SRE acha que TODOS OS PROFESSORES da ilha TÊM CARRO para andar de um lado para o outro só PARA ENTREGAR UM CONCURSO!!!!! Eu não acredito mesmo! Estou FURIBUNDA!